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    Holanda-Espanha, 0-0 (0-1, a.p.) (crónica)

    120 minutos de drama, para Iniesta coroar a geração de sonho

    Por Nuno Travassos , enviado-especial à África do Sul2010-07-11 22:10h
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    O Mundial 2010 teve a final que mereceu. Um jogo muito bem disputado, e cheio de um drama bem positivo. A decisão foi levada quase até ao limite, mas um golo de Iniesta, a quatro minutos do final do prolongamento, garantiu a festa espanhola.

    A Holanda foi uma digna finalista, mas o torneio da África do Sul acabou por coroar uma geração de luxo, que poucos países se podem dar ao luxo de dizer que tiveram igual. O mundo do futebol tem um novo campeão!

    O guião esperado era de um filme de acção

    Ainda que estivesse prometido que ambas as equipas se iam manter fiéis ao guião habitual, que é como quem diz ao futebol de ataque, já seria de esperar que a Espanha tivesse um pouco mais de posse de bola, e que a Holanda jogasse de forma mais vertical.

    O início do jogo confirmou essa expectativa. A Espanha seguiu a receita do costume, trocando a bola com mestria no meio-campo e depois procurando o passe de ruptura. Era sobretudo pela direita que «La Roja» atacava, com Sergio Ramos a protagonizar os primeiros lances de perigo. Logo aos 5 minutos o lateral direito obrigou Stekelenburg a uma bela intervenção, na sequência de um cabeceamento já no interior da área. Seis minutos foi Heitinga a cortar por cima da barra um cruzamento-remate.

    Após quinze minutos de domínio espanhol e intranquilidade holandesa o jogo perdeu qualidade e ganhou músculo. Howard Webb foi obrigado a mostrar cinco cartões amarelos em 13 minutos, e o que exibiu a De Jong bem podia ter outra cor (deu com os pitons da chuteira no peito de Xabi Alonso).

    Estabilizada defensivamente, a Holanda começou a aparecer mais no ataque. O lance mais aparatoso até foi provocado pelo «fair play» de Heitinga. O defesa holandês quis devolver a bola, mas deixou Casillas em dificuldades (34m). O guarda-redes espanhol ainda foi obrigado a defesa apertada no último lance da etapa inicial, por força de um remate de Robben chegado ao poste.

    De falhanço em falhanço, Robben foi rei

    Encontrado o ponto de equilíbrio, o segundo tempo foi bem mais aberto e empolgante. Xavi começou por assustar de livre directo (55m), mas o primeiro lance de golo feito apareceu do lado holandês. Sneijder isolou Robben, mas alguma displicência do esquerdino e o pé direito de Casillas conseguiram um milagre (62m). A seis minutos dos 90 a cena repetiu-se: Robben apareceu isolado, mas perdeu tempo precioso no «zigue-zague» e permitiu a defesa.

    A Espanha também teve uma grande ocasião para marcar, com Jesus Navas a assumir protagonismo, pouco depois de ter entrado. O extremo cruzou tenso, e um corte infeliz de Heitinga colocou a bola nos pés de Villa, mas o defesa holandês recuperou bem e evitou o golo (69m).

    A decisão merecia ir até ao limite

    Mesmo no prolongamento ninguém parecia querer o troféu. Fabregas imitiu Robben e permitiu a defesa do guarda-redes, quando estava isolado (95m). A Holanda sofreu um duro golpe ao minuto 109, com a expulsão de Heitinga, e acabou por sofrer o golpe final a quatro minutos do fim. Iniesta, o melhor em campo, garantiu o título mundial, dedicado ao falecido Dani Jarque.

    Um lance muito discutido, de resto. O médio espanhol não está em posição irregular, na conclusão, mas segundos antes o árbitro da partida ignorou um canto a favor da Holanda, depois de ter colocado uma barreira a cinco minutos. Talvez por ter perdoado a expulsão a Robben, pouco antes. Por tudo aquilo que foi o jogo, o vencedor devia ter sido encontrado nas grandes penalidades.

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