Maisfutebol: O que é que falhou neste Europeu? Foi o Quaresma que não existiu?
Quaresma: Falhou tudo. Penso que houve jogadores que não estavam preparados para este Europeu. Eu tenho de admitir que, desde que represento os sub-21, estes foram se calhar os jogos mais fracos que fiz. Tudo correu mal e nem a sorte esteve do nosso lado. Criámos «n» oportunidades e a bola ou batia em alguém, ou desviava no último momento, batia no poste ou o guarda-redes defendia com a cabeça e não entrava. Esta foi a pior fase que eu passei desde que estou nos sub-21.
Por que é que diz que há jogadores que não estavam preparados?
Há jogadores que não fizeram o apuramento connosco e que se calhar não estavam preparados para o grande campeonato e para os grandes jogos de que toda a gente estava à espera. Mas agora não vamos pôr as culpas em ninguém¿
Está a falar de jogadores como Rolando, Nelson, Nani ou Vaz Té, que entraram mais tarde no grupo?
Não, não. Não vou falar de nomes pois não é isso que interessa agora. Mas senti que houve jogadores que não estavam preparados para este Campeonato da Europa. Só isso.
Não estavam preparados porquê? Levaram as coisas muito a brincar?
Não, claro que não é a brincar, mas podia haver outra determinação. Senti que faltou ambição à selecção. Senti que fizemos um Campeonato da Europa fraco e temos que assumir isso. Não podemos pôr as culpas em ninguém e temos de admitir todos que os portugueses esperavam mais de nós e não conseguimos dar-lhes isso.
Os portugueses também esperavam mais do Quaresma? Por que é que não conseguiu estar ao seu nível?
Quando a equipa não está bem não é um jogador que vai resolver um campeonato. Um jogo ainda pode resolver, agora um campeonato penso que é complicado. Mas estou de consciência tranquila, pois ninguém me viu a passear dentro de campo. Tentei sempre dar o melhor que tinha e dar tudo por aquela selecção. É verdade que não estive ao meu melhor nível, mas já assumi isso. Saio deste Europeu de cabeça levantada porque tudo o que estava ao meu alcance eu tentei fazer. Depois não consegui oferecer golos, nem marcar¿
A sua importância no futebol português, no Porto e na selecção nacional, fez com que os adversários estivessem sempre alerta e as marcações apertadas complicaram-lhe a missão de desequilibrar?
Eu já esperava que fosse assim. Pelo campeonato que fiz, pelo momento que passei no Porto e pela maneira como falavam de mim penso que os adversários estavam mais atentos a mim do que a alguns jogadores da selecção. Como todos viram, quando eu tocava na bola tinha logo dois ou três jogadores a marcarem-me, mas isso não serve de desculpa. A verdade é que fiz um Campeonato da Europa fraco e tenho consciência disso.
Havia muita pressão sobre o Quaresma?
Não. Eu lido bem com a pressão e não tem nada a ver com isso. Nem com o facto de não ter ido para a selecção A. Algumas pessoas comentam que fui para os sub-21 a pensar no Mundial, etc, etc. Não faz qualquer sentido. Sempre disse que o Mundial não me ia afectar em nada. A única verdade é que no Europeu nada me correu bem. Fiquei surpreendido comigo mesmo, pois nem conseguia marcar, nem oferecer, nem ajudar a selecção, que era o que mais queria.
Jogou neste Europeu de raiva para mostrar alguma coisa a alguém?
Não tenho que provar nada a ninguém. Se as pessoas estiverem atentas
aos clubes e atentas aos jogos vêem o meu valor e os jogos que faço.
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