O Inferno é português. A Selecção Nacional perdeu esta terça-feira em Oslo frente à Noruega (1-0), depois de mais um erro
inacreditável, desta vez da autoria de Eduardo. Ao fim de dois jogos da fase de qualificação, Portugal tem um ponto e, sobretudo,
não dá a ideia de ter alguma reserva de ideias e de energia para combater a crise profunda em que está instalado.
A
Selecção até começou bem. Depois de alguns calafrios com a bola a chegar à área lusa pelo ar, na sequência de lançamentos
laterais e de uns primeiros sinais de intranquilidade de Eduardo, a primeira grande oportunidade de golo foi portuguesa. Tiago,
que se apresentou em campo como o organizador de jogo no lugar de Danny - Sílvio substituiu Miguel, Miguel Veloso tentou fazer
de Coentrão -, isolou Raul Meireles, que tinha espaço e tempo para fazer bem melhor. Em vez de dominar e escolher o lado certo
para o golo, rematou de primeira muito por cima da trave da baliza à guarda de Knudsen. Estavam decorridos apenas cinco minutos.
Só
que, três minutos depois, Eduardo voltou a falhar uma saída e a Noruega ficou novamente a centímetros do golo. O guarda-redes
do Génova, figura de Portugal no último Campeonato do Mundo, continuava a mostrar que aquele quarto golo sofrido frente a
Chipre na sexta-feira alimentou também uma crise de confiança no número 1 luso. E isso ficaria confirmado a meio do primeiro
tempo. Aos 22 minutos, Sílvio atrasou a bola, Eduardo esperou tempo de mais e Carew, que esteve em dúvida para a partida,
fez o carrinho que permitiu a Huseklepp empurrar para as redes desertas.
À excepção de alguns remates de Ricardo
Quaresma, Portugal conseguiu muito pouco no primeiro tempo para reclamar um resultado diferente antes da descida aos balneários.
A Noruega, que nunca antes tinha vencido a Selecção Nacional, começou a acreditar com o passar dos minutos que era possível
conquistar os três pontos. Mesmo que para isso fosse preciso sofrer, como perder Waehler e Carew por lesão antes do intervalo.
Tanto
tempo sem reagir
O regresso não trouxe melhorias, e quando ainda se acertavam posições, Huseklepp falhou por
pouco o 2-0. O remate cruzado, perante a passividade de Miguel Veloso, fez a bola passar muito perto do poste direito. Aos
53 minutos, uma nova intervenção desastrada da defesa portuguesa, desta vez por intermédio do capitão Ricardo Carvalho, colocou
a bola em Abdellaoue, que atirou ao lado, perante Eduardo.
A primeira substituição de Agostinho Oliveira surgiu apenas
aos 72 minutos, com Tiago a dar o lugar a Danny. Foi muito tempo sem reagir ao que se passava no relvado, onde os ataques
portugueses batiam sempre no muro norueguês fosse pelo ar ou pelo chão e a defesa também tremia a espaços sempre que os nórdicos
colocavam em campo mais energia. O bloqueio que havia no relvado pareceu ter-se estendido ao banco. Liedson daí saiu aos
84 minutos, quando a expectativa de virar o resultado já era pouco mais que nula. E foi o que Agostinho mudou.
A
Noruega guardou a bola até final, sem que Danny, à excepção de um remate por cima da trave já perto da pequena área, tivesse
conseguido algo mais do que os companheiros. Liedson tocou muitas poucas vezes na bola. Hugo Almeida falhou a última jogada,
que seria pouco mais do que um pequeno milagre. Portugal precisa de ordem e quando mais tempo demorar a recuperá-la mais depressa
perderá o comboio para a fase final. Os surpreendidos noruegueses terminaram o encontro a gritar «Olés» no Ullevaal perante
uma das selecções com maior poderio nos últimos anos na Europa. Que foi sempre uma sombra do seu real valor!
QUE FRANGO!:
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