Voltámos a passar o Bojador e África do Sul volta a estar nos nossos horizontes. Bateu tudo certo. A Dinamarca cumpriu a sua parte em Copenhaga, Portugal não desiludiu em Lisboa e chegou ao segundo lugar do grupo. A Selecção Nacional já não depende de terceiros e, agora, só precisa de vencer Malta para abrir as portas do play-off e continuar a sonhar com uma presença no Campeonato do Mundo. Cristiano Ronaldo, limitado, durou menos de meia-hora, o suficiente para ajudar a abrir caminho para a ambicionada vitória.
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O jogo começou em ambiente de festa com mais de cinquenta mil espectadores a festejaram a vitória da Dinamarca sobre a Suécia (1-0). Não podia haver melhor tónico para o início do jogo. A isto juntou-se um público a transbordar entusiasmo para dentro do relvado. A selecção sentiu o ambiente e atirou-se para a frente de dentes cerrados à procura do golo que lhe permitia saltar para o segundo posto da classificação e deixar a Suécia e Hungria, finalmente, nas suas costas. Pedro Mendes encaixou na perfeição no lugar de Pepe, enquanto Raul Meireles e Deco jogavam mais adiantados no apoio ao tridente da frente.
Sem jogar muito bem, Portugal assumiu desde logo a iniciativa de jogo, esquecendo o jogo bonito, para apostar tudo num jogo que pretendia eficaz. Cristiano Ronaldo não se entendia com Duda na esquerda, Deco estava perdido no meio-campo, Liedson demorava a aparecer, mas tudo isto parecia pouco significativo, tal era o empenho dos comandados de Queiroz. O cerco foi-se fechando sobre a área da Hungria, jogava-se com intensidade, cada vez mais perto da baliza de Babos diante de uma Hungria cada vez mais encolhida. Numa abertura de Raul Meireles, da direita, Ronaldo ganhou na área, escapou à marcação e atirou cruzado. Babos defendeu para a frente e Simão não perdoou.
Dois calafrios antes de endireitar a nau
A festa ganhava intensidade e muitos nem repararam que Ronaldo já estava queixoso. Poucos minutos depois, acabava o efeito Ronaldo que pedia para sair. Nani até entrou bem, mas a selecção acusou a saída do seu capitão. Perdeu profundidade no ataque e deu espaço para que a Hungria, que chegou a estar totalmente à sua mercê, subisse as suas linhas e voltasse a respirar. O intervalo chegou com dois enormes calafrios a percorrer as bancadas da Luz. Primeiro foi Dzsudzak a atirar cruzado, com a bola a roçar o poste com Eduardo já batido. Já em tempo de descontos, foi Juhasz a desviar de cabeça à trave.
Dois sinais claros que nada estava ainda decidido. Era preciso recuperar a atitude inicial. Já não havia Ronaldo, mas agora havia Nani. O extremo do Manchester United voltou a puxar a equipa para a frente e a atear as bancadas da Luz. Primeiro com uma assistência para Meireles, depois com um remate do meio da rua. Simão também crescia, voltavam-se a abrir as alas e toda a equipa voltava a encher o campo diante de uma Hungria, novamente, em dificuldades. Numa jogada de insistência, Bruno Alves levantou a bola, Liedson levantou os pés do chão e atirou-se contra a bola. Babos ainda tentou defender, mas estava feito o 2-0, o golo que dava mais segurança.
Pouco depois, um cruzamento de Duda para um remate de primeira de Simão acabava definitivamente com todas as dúvidas. Portugal repetia o mesmo resultado de há dez anos na caminhada para o Euro-2000. África do Sul volta a ser visível no horizonte, agora já sem depender de terceiros. O Cabo do Bojador está ultrapassado, agora só é preciso vencer Malta e, depois, quem nos calhar no play-off para fazer as malas para o sul de África.