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Sub-21: Portugal-Macedónia, 3-1 (crónica)

Números mascaram exibição cinzenta e campanha tristonha

Por João Tiago Figueiredo2010-09-07 17:56h
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A tela já era cinzenta e não houve cor, quente ou fria, que mudasse o cenário. Portugal venceu a Macedónia (3-1), terminou o grupo com uma boa vitória e com a dignidade que pretendia. E por aí ficou. Os números enganam e faltou o colorido que os pouco mais de mil espectadores que se deslocaram ao Estádio Jorge Sampaio, em Pedroso, desejavam. A campanha termina como, quase sempre, foi: suficiente e nada mais que isso.

Para quem sofre de insónias a primeira parte do encontro desta tarde seria uma boa terapia. Aliás, se excluirmos o golo português e uma iniciativa de Ukra, o lance mais aplaudido acabou por ser a entrada em campo de um cão. O passeio durou uns segundos, suficientes para o gáudio da plateia. O canino, certamente com o cérebro baralhado pelo cenário, funciona como metáfora perfeita para a primeira parte: duas equipas algo confusas e sem saber muito bem o que faziam no relvado, num jogo sem nenhum interesse competitivo.

Depois, lá veio o golo. Uma prenda de Efremov, o guarda-redes macedónio. Insistência de João Gonçalves e a bola a sobrar para Bebé que remate de pronto. A bola saiu colocada mas parecia controlada. Um flash e golo. O esférico tinha passado por debaixo do guarda-redes e Bebé marcava, assim, o primeiro golo com a camisola da selecção.

Mesmo com o tento caído do céu, Portugal não animou muito. Ukra ainda tentou dar um ar da sua graça, com uma arrancada em cima do intervalo, mas Bebé não acertou na baliza. No segundo tempo, o reforço do Manchester United voltou a estar perdulário. Após cruzamento de João Silva, e com a baliza escancarada, atirou por cima.

No meio disto, onde andou a Macedónia? Por aí, como comummente se diz. Preocupada em fechar os caminhos da sua baliza, mas com espaço para tentar uma gracinha lá na frente. Foi assim que Hasani ficou na cara de Rui Patrício, aos 56 minutos. Faltou correr mais riscos, pois a ideia que ficou é que o golo do empate poderia mesmo ter surgido.

O longo bocejo teve o seu espasmo com o lance da redenção de Efremov. Saiu bem aos pés de Bebé e voou para negar o golo a André Almeida. Pouco depois, os golos que mascaram o resultado. Bura fez o segundo de cabeça e João Silva ditatou a vantagem, já nos descontos. Antes do fim, Altiparmakovski fez o golo de honra macedónio, depois de driblar Rui Patrício.

Foi canto do cisne português, no jogo e no apuramento. Um cisne que nem foi nem branco, nem negro. Esta equipa mostrou uma vez mais que a cor que melhor lhe assenta é mesmo o cinzento.

Ficha de jogo:

Estádio Dr. Jorge Sampaio, em Pedroso (Vila Nova de Gaia)
Árbitro: Thoroddur Hjaltalin (Islândia)

PORTUGAL: Rui Patrício; João Gonçalves, Bura, Daniel Carriço e Fábio Faria; André Santos (Pedro Moreira, 59m), Castro e Rui Pedro (André Almeida, 74m); Bebé (Yazalde, 88m), Ukra e João Silva.

Não utilizados: Ventura, André Pinto, Pereirinha e João Aurélio.

Treinador: Oceano Cruz

Golos: Bebé (23 m), Bura (87m) e João Silva (90m)

Disciplina: Amarelo para Daniel Carriço (21m), Bura (41m), Fábio Faria (44m)

MACEDÓNIA: Efremov; Geogievski (Brdarovski, 88m), Dimitrovski, Bogadanovic e Ristevki; Urdinov e Spirovski (Altiparmakovski, 74m); Filip Petrov, Stankov (Milovan Petrovic, 64m) e Hasani; Muarem.

Não utilizados: Naumovski, Duranski, Tomica Petrov e Micinovikj.

Treinador: Boban Babunski

Golos: Artiparmakovski (90m)

Disciplina: Amarelo para Muarem (30m), Spirovski (66m), Urdinov (78m)

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