Defender a introdução de tecnologias no futebol é um pouco como desejar a paz no mundo: todos a defendem. Uns com argumentos
sólidos, outros com hipocrisia, os mais patéticos com petições e inutilidades folclóricas do género.
Cada vez que
um árbitro comete um erro (e são tantos¿), um treinador, um dirigente, um adepto, alguém em algum ponto do globo levanta a
voz e exclama: «Se o futebol introduzisse novas tecnologias, esta injustiça seria evitada». E provavelmente assim seria.
No
entanto, apesar da evidência, estou de acordo com a decisão tomada este sábado pelo «International Board» da FIFA, supremo
guardião das leis do jogo. Quer dizer, estou sobretudo de acordo com a ideia de manter a decisão nas mãos dos homens.
Na
prática, isto significa que aceito os erros dos árbitros?
Sim, o que é diferente de aceitar a incompetência de quem
apita.
Antes de introduzir tecnologias que retirem o poder de decisão ao árbitro, é fundamental dar condições a quem
arbitra e, sobretudo, reaprender a respeitar o jogo.
Acho que, de uma forma geral, o problema do futebol é ter perdido
a sua identidade. A meio do caminho, tornou-se um negócio, uma forma de afirmação nacional, não raro um instrumento de poder.
E, quase sempre, tudo isso em simultâneo.
O resultado passou a ser mais importante do que o jogo, o que não faz
muito sentido.
Voltando aos árbitros, é preciso aceitar que erram. Às vezes demasiado, às vezes de forma incompreensível,
às vezes por falta de qualidade e, pior do que tudo isto, às vezes por razões obscuras. Pelo menos foi o que aprendemos no
passado, com alguns processos, em Portugal e um pouco por todo o mundo.
Enquanto dirigentes, treinadores e jogadores
não respeitarem de facto os árbitros; enquanto os árbitros não forem de facto competentes; enquanto não se exigir da preparação
dos árbitros o que se exige dos jogadores, enquanto tudo isto não existir, introduzir a tecnologia no futebol teria pouca
relevância e nada resolveria.
É por isso que discutir chips quando se devia discutir conceitos, valores e pessoas
é perder tempo.
QUE FRANGO!:
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Discutir pessoas, em vez de chips
O resultado não pode ser mais importante do que o jogo
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