Três são as situações que, pode dizer-se, determinaram a história desta final: o primeiro golo do CSKA; a hipótese de o Sporting chegar ao 2-2 e sofrendo praticamente de seguida o 1-3; e o génio de Daniel Carvalho, um brasileiro de nome bem português que carregou a equipa russa para a vitória.

A determinar esta conjuntura esteve o letal contra-ataque russo, que deu corpo às intenções bem explícitas desde os primeiros minutos de, pela rapidez da boa execução, chegar à área do Sporting com os defesas leoninos pelas costas.

Mas, em relação ao resultado final, o início foi bastante enganador. O Sporting entrou bem no jogo, acertou marcações e correndo mais do que um adversário, que nitidamente, se ia «guardando» para ver como as coisas corriam, foi jogando ao seu estilo.

Deu para perceber desde muito cedo que Daniel Carvalho era o organizador do CSKA e dos seus pés sairiam os lançamentos para Vagner Love e Olic. Rochemback acabou por «secar» o seu compatriota no primeiro tempo e a aposta era nas trocas de bola curtas com muitos passes entre «Roca», a distribuir, Moutinho, a organizar, e companhia.

Só que os avançados leoninos acabaram por ser improdutivos, No primeiro tempo, conseguiram entrar na área russa algumas vezes, mas nem todas as tabelas saíram bem. E, por alto, era de todo impossível bater a linha de três defesas «gigantes» dos moscovitas.

Frequentemente foi preciso aos dois jogadores mais avançados irem procurar a bola noutras partes do campo. E acabou por ser com uma remate de fora da área que o Sporting conseguiu chegar ao golo. A vantagem era justa, face aos dados lançados pelos dois técnicos, e os leões materializaram em golo o domínio imposto até então.

Sporting sofre primeiro e quebra

Já depois do intervalo, chegou o primeiro momento do jogo. Daniel Carvalho (eleito justamente o melhor jogador da final) começou a marcar a partida ao cobrar um livre para a cabeça de uma das «torres» Berezutskiy, o Alexey, fazer a igualdade. Não só pelo empate o jogo mudou (ficava tudo como no principio), mas, sim, porque a equipa do Sporting abalou (e de que forma) e nunca mais conseguiu «encontrar-se» com o futebol que tinha jogado antes.

O domínio leonino foi-se esbatendo até ao desaparecimento. As coisas começavam ficar mais ao gosto dos russos, cuja toada expectante era, agora sim, cada vez mais controlada, à espera de nova estocada.

E a reviravolta no jogo foi acontecendo com requintes de malvadez para os leões. Pouco depois de um remate de Tello ao qual Akinfeev só consegue colocar os punhos para deter a bola, o CSKA marcou o segundo. Estava dado o mote para o resto.

Carvalho tornou-se imparável, deixou de haver quem o conseguisse marcar, travar, o que fosse necessário para evitar que o brasileiro impusesse o rumo aos acontecimentos. E foi perante este cenário, já sem ser dominador e «à mercê» do contra-ataque russo que o Sporting ficou - conta-golpe até perdulário, mas suficiente para bater os leões.

Em cenário idêntico ao do golo anterior aconteceu a estocada final. Ainda menos tempo depois de Tello ter feito um remate em cima da linha de fundo que Rogério não conseguiu tocar para a baliza a centímetros de distância (o herói do golo sportiguista ficou marcado por ter tocado a bola contra o poste), o CSKA fez o 3-1.

Mais uma vez o já rei e senhor do jogo Daniel Carvalho a assistir, desta vez Vagner Love, para golo. Este último, depois de Ricardo não chegar à bola e ficar fora do lance, só teve de «estoirar» também ele a centímetros da linha. O episódio final da derrota do Sporting, que foi como o epílogo do que tinha vindo a acontecer.