«Provavelmente o momento mais difícil na vida de um futebolista é quando chega o dia de dizer adeus, mas como em tudo na vida... nada é eterno. É evidente que custa, para mais quando se tem a consciência, como é o meu caso, de que sempre fui um profissional que cumpriu com todos os mandamentos, mas não posso deixar de confessar que me fui preparando para o adeus - Embora tivesse a possibilidade de continuar a jogar pelo menos mais uma época -. E assim sofre-se menos com o abandono. De qualquer modo poderá alguém, especialmente eu, ficar insensível a 15 anos de profissional sempre ao mais alto nível? É evidente que não.
Sinto já alguma nostalgia pela partida, embora vá continuar ligado ao futebol como sempre desejei, sendo esta uma boa altura para recordar todos os clubes onde pude expressar aquilo que sempre mais gostei de fazer. Jamais poderia esquecer os primeiros passos no Académico de Alvalade, mais as passagens por Palmense e Futebol Benfica, clubes que me forneceram o essencial para concretizar o primeiro grande objectivo, ingressar no profissionalismo. No Estrela da Amadora cresci como homem e futebolista, aí vivi raros momentos de felicidade com a conquista da Taça de Portugal e depois, desculpem-me a imodéstia, foi sempre a somar: Vitória de Guimarães, Benfica, Oviedo - clube e cidade onde passei quatro anos maravilhosos e que marcam de forma significativa a minha carreira, mais por terem sido vividos fora do meu ambiente natural -, Sporting, onde ajudei a ganhar tudo o que havia para ganhar a nível nacional, e Selecção Nacional, o clube de todos os portugueses tendo tido a satisfação de vestir a sua camisola em 35 ocasiões e participado num Campeonato da Europa e num Campeonato do Mundo. Portanto, a minha carreira chegou ao fim por opção.
Sou um homem feliz mas como sempre perspectivei o futebol para mim continua, agora como treinador. Enquanto jogador fui absorvendo muito do que vi e aprendi com os muitos treinadores que se cruzaram comigo. Convencido de que podia dar o meu modesto contributo nesta actividade sempre tão controversa. Mas para passar à prática as minhas ideias necessitava de uma oportunidade. O Sporting acreditou em mim e abriu-me a porta que tanto desejava, possibilitando-me começar pelos escalões de formação que era no fundo aquilo que desejava para início de carreira. Estou pois muitíssimo agradecido ao clube onde terminei uma carreira e começo outra, convencido de que não o defraudarei na aposta.
Gostaria igualmente de deixar palavras de apreço a algumas pessoas que sempre me apoiaram ao longo de todos estes anos, começando pela Comunicação Social em geral, com quem sempre tive as melhores relações profissionais, à minha família, que com o seu amor, carinho e compreensão soube superar as minhas constantes ausências, aos meus companheiros em todos os clubes por onde passei, por me terem ajudado a ser melhor jogador e cidadão, e a todos os treinadores, especialmente João Alves a quem estarei eternamente grato pelo muito em que me ajudou em todos os aspectos, não esquecendo também aqueles que se convenceram de que a minha carreira chegaria mais cedo ao fim.
Finalmente, não posso deixar de recordar neste momento, aquele que foi, é e será sempre o meu maior ídolo e que infelizmente não pode estar aqui para ouvir o meu agradecimento, mas onde quer que esteja sabe quantas saudades tenho dele: o meu pai.
Paulo Jorge Gomes Bento»Comentar este artigo

