«Este regresso não me surpreende. Era uma questão de tempo. Logicamente, enquanto estivessem estas pessoas na estrutura do futebol, ou pelo menos enquanto eu estivesse na estrutura do futebol, não trabalharia comigo», explicou Paulo Bento, esclarecendo, ainda, a questão da dispensa de Sá Pinto enquanto era treinador: «Não fui eu que andei durante o ano todo a dizer que ia terminar a carreira. Depois eu tinha que tomar uma decisão. E a que tomei foi de não continuar a contar com ele como jogador.»
A Rogério Alves, presidente da Mesa da Assembleia Geral, apontou o dedo, considerando que não teve comportamentos éticos. «[Sendo] uma figura do clube pelo cargo que ocupa e não tanto por aquilo que tenha feito na história do Sporting, pelo menos que eu conheça, teve ao longo destes quatro meses comportamentos que não foram, na minha opinião, nem correctos nem éticos. Concretamente, algumas declarações nesta fase final do meu trajecto.»
Paulo Bento criticou ainda aquilo que chamou de acção concertada contra a estrutura desportiva e cujos efeitos colaterais atingiram a equipa. «Não sabia quem eram os actores mas sabia qual o cenário que estava montado. (...) Não é normal a recepção que tivemos após passarmos uma eliminatória [Twente]. E não interessa que tenham sido duas ou três pessoas, um vez que quem o fez pensou bem no que queria fazer, foi concertado, não foi espontâneo. (...) O episódio repetiu-se após o jogo de Florença. (...) Creio que o cenário foi montado e orientado em primeiro lugar para as três pessoas que saíram agora. E fizeram-no de duas maneiras: uma, atingido o Pedro Barbosa, para ver se chegavam ao treinador; e outra pelo treinador, para ver se atingia as outras duas pessoas. Isso parece-me evidente. A mim faltou-me capacidade para tirar os jogadores deste ambiente e turbulência.»
Sobre Carlos Carvalhal, o seu sucessor no comando técnico, considerou justa a oportunidade dada de treinar um grande. «É um treinador em que se vê que as suas equipas têm identidade, que tem agora a oportunidade num clube grande, e que me parece uma oportunidade justa. Não é alguém com quem tenha grande contacto, mas a quem reconheço competência e em quem vejo condições para treinar o Sporting.»
Também o Jornal de Notícias deste sábado publica uma entrevista com Paulo Bento, na qual o treinador avisou o presidente da SAD, José Eduardo Bettencourt, para «ter cuidado com alguns abutres que andam à sua volta». Neste sentido, o ex-técnico leonino lembrou que «o Sporting é, se calhar, o único que tem uma associação de adeptos, que tem lugar no Conselho Leonino e com o seu vice-presidente atrás de uma baliza, bem vestido, a insultar os jogadores».Comentar este artigo
