Hélder Varandas: A autonomia financeira é zero e, assim sendo, é óbvio que os clubes estão muito mal. Em termos de indicadores financeiros, aquilo que é aceitável ter numa empresa é ter uma autonomia de 25 a 30 por cento. Isso é o mínimo. Tudo abaixo disso é complicado.
MF: E é possível que a Superliga alguma
vez venha a ter essa autonomia financeira?
HV: Eu acho que sim. Penso que há clubes que terão de atrair mais
capital porque senão nem poderão continuar a funcionar. Os grandes são aqueles que têm maiores défices.
MF:
Isto apesar de os quatro grandes, segundo este estudo, andarem com a Superliga a reboque.
HV: Exactamente. É
que eles ainda não se aperceberam disso. É preciso realmente olhar para os números e fazer algumas simulações financeiras
para perceber que grande parte dos clubes da Superliga não acrescentam valor à competição e que, portanto, deviam disputar
outra prova.
MF: Na altura em que se aperceberem disso, a vida dos pequenos na Superliga complica-se bastante¿
HV: Eu acho que ninguém fica prejudicado porque se falar com presidentes de clubes da Liga de Honra, todos dizem
que, se não meterem dinheiro, aquilo não funciona. Eles não têm receitas próprias para manter a estrutura.
MF:
Portanto, podemos falar de uma situação de falência técnica.
HV: Eu acho que sim, embora seja justo dizer que
os dirigentes dos clubes têm feito nos últimos anos um esforço muito grande para a ajustar os encargos às receitas que têm.
Isso está a ser feito, notou-se já no ano passado e, no final deste ano, vai notar-se ainda mais porque estas coisas não podem
ser imediatamente ajustadas. Se eu tenho um contrato de quatro anos com um jogador, tenho de esperar que termine para que
se ajustem as coisas porque até lá é difícil. Aliás, isso tem acontecido um bocadinho com o Sporting, que tem feito uma redução
bastante significativa dos encargos salariais, mas tem de ser gradual.
(Continua)

