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Taça: Oliveirense-Académica, 2-2 (crónica)

Capas negras no Jamor, 43 anos depois

Por João Tiago Figueiredo2012-02-07 22:19h
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O Jamor terá fado de Coimbra e capas negras. A Académica conseguiu o apuramento para a final da Taça de Portugal, eliminando a Oliveirense, da Liga de Honra, depois de empatar a duas bolas. Volta a um palco onde não ia desde 1969 para tentar buscar o troféu que só levou uma vez: na primeira em que a prova se disputou.

Quarenta e três anos depois, as capas estudantis vão fazer parte da decoração da festa que encerrará a temporada desportiva em Portugal. Na altura, com críticas ao regime, no auge das manifestações dos estudantes de Coimbra. Agora, em nova altura de crise, com as devidas diferenças, a irreverência da Académica voltará a tomar de assalto o Estádio Nacional.

Para lá chegar, foi preciso sobreviver a um duelo intenso, vivo dentro e fora do relvado, com golos, emoção e incerteza. Um bom jogo, em suma. Digno da meia-final daquela que, por algum motivo, chamam a prova rainha do futebol lusitano.

Veja a FICHA de JOGO e as NOTAS dos jogadores

A Académica chegava a Santa Maria da Feira, palco improvisado do encontro, com um magro tento de Habib de vantagem e viu a Oliveirense, que entrou disposta a tudo para a primeira final da sua história, marcar relativamente cedo.

Clemente, um dos heróis da caminhada do Desp. Chaves há dois anos, mostrou saudades do Jamor no golo que abriu as hostilidades, ainda antes dos vinte minutos. Eliminatória empatada. Por pouco tempo. Segundos, apenas.

Amor com amor se paga

Se a Oliveirense se tinha adiantado a partir de um lançamento lateral, a Académica escolheu o mesmo caminho para empatar. Menos belo, mais atabalhoado, igualmente eficaz. Marinho, no primeiro capítulo de uma noite para mais tarde recordar.

O golo dava duas certezas: não haveria prolongamento e a Oliveirense tinha de marcar mais dois, pelo menos, para seguir em frente. Não tardou em fazer o primeiro, enervando o público da casa.

Marinho, a figura (destaques)

Lance duvidoso, ainda assim, aquele que dá o penalty convertido por Adriano. Não tanto pela falta de Hélder Cabral mas pelo local: dentro ou fora da área? Nem a televisão é completamente esclarecedora.

Ricardo e Bruno ainda evitaram que Oliveira e Cedric marcassem de livre e ao intervalo um cenário estranho: Oliveirense na frente do jogo, Académica na frente da eliminatória.

Jamor ao som do Fado de Coimbra

O segundo tempo foi bem menos interessante. Os nervos dominaram e o futebol do primeiro tempo passou para a página das memórias. Mais vontade que cabeça, apesar do excelente golo da Académica, a dar novo empate, numa lição de contra-ataque.

Dois toque de Adrien e bola na esquerda, onde Diogo Valente descobriu Marinho. O herói da noite só teve de ser mais rápido que Bruno e encostar. Estocada final na fé que moveu muita gente de Oliveira de Azeméis à Feira.

A Oliveirense não conseguiu reagir, teve um lance na trave, por Ivan Santos, que poderia ter dado a vitória no jogo como prémio de consolação para quem chegou tão longe. O Jamor mostrou-se um sonho impossível. A luta continua na Liga de Honra.

A Académica de Pedro Emanuel conseguiu o desfecho lógico para uma eliminatória em que era favorita e o coroar perfeito para uma caminhada de sonho, que ganhou expressão nos três tiros no porta-aviões do Dragão e se consolidou nesta sofrida dupla jornada. Está no Jamor com todo o mérito e fica também perto de um passaporte para a Europa do futebol.

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