Noite muito morna no Estádio do Dragão, Lucho e Raul Meireles nos papéis de protagonistas e o F.C. Porto em posição excelente para reclamar no Jamor a 14ª Taça de Portugal do seu palmarés. O Estrela da Amadora, por seu lado, parte em condição subalterna para a 2ª ronda. Os estrelistas tentam, de qualquer modo, repetir ainda o feito único de 1989/90.

Entrar a matar antes de descontrair

Entrada vertiginosa dos azuis e brancos. Primeiro Lisandro, depois Lucho - tudo nos primeiros cinco minutos - e o F.C. Porto sempre muito perto do golo. Aos nove, a bola até beija as malhas das redes tricolores, mas Lisandro tira proveito de uma posição irregular.

A partir dos 15/20 minutos, os dragões aliviam a pressão, actuam mais relaxados, mas o ritmo mostra ser suficiente para edificar o triunfo. Em quatro minutos, entre os 34 e os 38, dois golos. Primeiro, de grande penalidade, Lucho inaugura a contagem; depois, após bom lance entre Mariano e Rodríguez, Raul Meireles aproveita para ampliar a diferença.

Tudo muito natural, simples e eficaz. Assente na sua estrutura habitual, ligeiramente modelada com a introdução de Nuno Espírito Santo, Stepanov e Mariano, o F.C. Porto troca bem a bola, explora convenientemente os flancos e esbarra apenas na noite inspirada de Nelson. Sem brilhantismos, os dragões colocam-se claramente na frente nesta luta por uma vaga no Jamor.

Estrela só depois do descanso

Para candidato a finalista, o Estrela parece tímido. Talvez receoso pela pouca rodagem dos centrais de ocasião (Nuno André Coelho e Tengarrinha não alinham por lesão), a equipa da Reboleira não arrisca um milímetro ao longo de toda a primeira parte. Silvestre Varela, por exemplo, apenas se solta na etapa complementar.

E é precisamente no recomeço que os homens da Amadora assumem o jogo. Mais posse de bola, mais ambição, mais coragem, mas também mais espaços na retaguarda. E sabe-se como o F.C. Porto gosta de jogar na contra-resposta.

Em várias ocasiões, os azuis e brancos ficam bem perto do golo. Lisandro em duplicado, Lucho uma vez e depois Hulk e Farías. Sempre com perigo, sempre com resposta a condizer de Nelson. O Estrela também tem a sua oportunidade, pelo inevitável Varela, mas o pontapé em extraordinária posição esbarra no pé esquerdo de Nuno.

E já que se fala em golos falhados, vale a pena reflectir sobre a condição de Lisandro: o argentino corre, mantém-se vivo e audaz, mas transmite uma preocupante falta de confiança. Que bem lhe teria feito aquele golo anulado logo no início. Jesualdo terá aqui muito trabalho mental/moral para reabilitar por completo o internacional alvi-celeste.

Nota final para o árbitro: noite calma para Paulo Baptista que, de qualquer forma, terá errado pelo menos ao não assinalar uma grande penalidade sobre Lisandro, já na segunda parte.