Em entrevista ao Maisfutebol, o ex-jogador recorda a passagem pelo nosso país e fala sobre o duelo com a selecção nacional na África do Sul.

«Vai ser muito difícil para nós, porque Portugal e Brasil são duas grandes nações. Falei com Carlos Queiroz depois do sorteio e dissemos logo que seria um jogo muito disputado. Será um reencontro com ele, Queiroz foi como um pai para mim quando estive no Sporting. Mas desculpa pai Queiroz, penso que podemos surpreender Portugal», começou por dizer.

Ouattara não esquece a música entoada pelos adeptos do Sporting, entre 1995 e 1996: «Amo muito Portugal, passei dois anos em Lisboa e fui muito feliz com a minha família. Adorei a cidade e as pessoas. Lembro-me perfeitamente da música que cantavam para mim: Ú-Á-Outtara! Adorava ouvir aquilo. É uma grande recordação, que fica para toda a vida.»

Para alguns, Ouattara era um avançado... pouco hábil na relação com a bola. Mas Ahmed sabe como responder aos críticos. «Marquei golos contra o F.C. Porto, contra o Benfica, marquei ao Vítor Baía, ao PreudHomme. Marquei e ganhámos uma Supertaça em Paris, frente ao F.C. Porto. Penso que fiz boas coisas em Portugal», remata o antigo avançado.

«O impossível não é marfinense»

Aos 40 anos, Ahmed Ouattara recorda a segunda passagem pelo campeonato nacional, agora para representar o Salgueiros.

«Em 2000, voltei ao campeonato português para jogar no Salgueiros. Fizemos a melhor época da equipa em muitos anos. Não sabia que tinham desistido do futebol profissional. É uma pena, porque o clube era como uma grande família, com boas pessoas», lamenta.

Actual funcionário da Federação da Costa do Marfim, o ex-jogador continua a seguir o campeonato português, sobretudo para acompanhar Marc Zoro. «Encerrei a carreira como jogador na Costa do Marfim e agora sou secretário-técnico da selecção. Moro em França e observo jogos na Europa. Costumo acompanhar a carreira do Marc Zoro, que está agora no Setúbal. É um jogador de selecção, deve estar no Mundial e tem valor para jogar no Benfica, sem dúvida», garante.

E quando se pergunta ao simpático Ouattara, agora com uns bons quilos a mais (é só confirmar na foto), quais as reais hipóteses da Costa do Marfim no Mundial, a resposta é pronta.

«A nossa selecção pode ir longe. Temos grandes jogadores, como o Yaya Touré, o Kalou ou o Drogba, mas Portugal tem Deco, Cristiano Ronaldo ou Simão Sabrosa, que jogou comigo no Sporting. Vai ser um primeiro jogo interessante. Para mim, Portugal é um dos favoritos a vencer o Mundial. Quanto a nós, no meu país costuma-se dizer: o impossível não é marfinense», remata Ú-Á-Ouattara.