No futebol, há alguns casos famosos de gémeos, como a dupla holandesa Roland e Frank De Boer, nos anos 90, e, cá pelo burgo, os irmãos Carlos e Pedro Xavier, só para dar dois exemplos. Estes são, aliás, os caso que o próprio Dani, apesar de só ter 22 anos, recorda imediatamente.

Dani e Diogo sempre jogaram juntos e isso permite-lhe ter um enorme conhecimento mútuo. «Muitas vezes, já sei o que meu irmão vai fazer antes de o fazer. São muitos anos a jogar nas mesmas equipas, já conhecemos as manhas um do outro», refere Dani, ao que acrescenta o irmão: «É como uma intuição que temos por vezes. Um passo à frente, em relação aos outros.»

Entre estórias caricatas de que se lembram, próprias do facto de serem tão parecidos - embora sejam gémeos falsos -, está a tradicional confusão dos árbitros. «Já aconteceu o meu irmão fazer uma falta mas querem mostrar o amarelo a mim. Nessa altura, eu tenho de fazer ver que não fui eu que cometi a infracção e eles, depois de se rirem, lá percebem o erro», conta Diogo, entre risos.

Quanto ao futuro, apesar das qualidades que lhes são reconhecidas, os manos Gonçalves mostram ter os pés bem assentes no chão. Estão ambos a terminar os respectivos cursos, de Radiologia (Dani) e Enfermagem (Diogo), e preferem jogar pelo seguro. «Se surgir uma proposta para nos tornarmos profissionais, teremos de pensar duas vezes, mas a prioridade vai para o curso e depois o emprego, pois o mundo do futebol é incerto. Isto está muito difícil», admitem.

Miúdos excepcionais, segundo o treinador

A vantagem de ter irmãos gémeos numa equipa é corroborada pelo treinador do União. «Têm uma espécie de telepatia, mas, às vezes, também se chateiam quando ela não resulta, sobretudo porque eles jogam em lados opostos. Mas conhecem-se muito bem e não exageram, caindo na tentação de só passar a bola um ao outro. São dois miúdos excepcionais. Muito educados. Dois talentos com capacidade para chegarem a profissionais», assevera Pedro Ilharco.