O caso é confuso e digno de interpretações diferentes. Os primeiros problemas surgiram quando Zongo, em Dezembro de 2006, foi apanhado pelos serviços alfandegários de Munique, em trânsito para a Bélgica, mas com um visto emitido pela embaixada alemã. «Fiquei surpreendido porque já não era a primeira vez que ia para outro país da Europa com uma autorização dos serviços alemães. No entanto, não me deixaram seguir e ameaçaram-me com o tribunal ou uma multa de 450 euros. Optei pela segunda via, paguei a multa, e fui obrigado a voltar para Malta», explica o médio africano ao Maisfutebol.
O segundo episódio desta novela - dramática, pelo menos para o visado - dá-se em Julho deste ano, quando a U. Leiria entra em cena e o convida para um período de testes, durante a pré-época. É então que Zongo tenta obter a indispensável autorização para viajar para Portugal através da embaixada portuguesa, mas esta remete-o para a congénere francesa, porque, de acordo com o jogador, «não tinha capacidade de emitir vistos».
Depois de alguma discussão entre os serviços franceses e alemães, já cientes do ocorrido em Munique, o visto é-lhe concedido pelo período de um mês. Ora, é nesta fase que poderá ter acontecido uma segunda prevaricação: Zongo teria um visto para entrar em França, mas acabou por rumar a Portugal.
Detido e presente a um juiz
A acrescentar a esta primeira explicação, meramente técnica, há toda uma série de peripécias que deixaram o jogador «em baixo e à beira do desespero». Numa manhã de Setembro, revela ter sido detido e presente a um juiz de instrução criminal no Tribunal de Leiria, que lhe decretou o termo de identidade e residência. O SEF apercebera-se da situação irregular e recusou-lhe o visto de trabalho, mesmo se já tinha um contrato de trabalho para quatro anos.
No meio disto tudo, a Liga aceitou a inscrição e Zongo até participou em três jogos da U. Leiria. Só não pôde defrontar o Bayern Leverkusen para a Taça UEFA para não se arriscar a ter novamente problemas na Alemanha.
Drama familiar
«Não sou um criminoso, não roubei nada, apenas cometi o erro de ter mentido ao pedir o visto, mas paguei por isso, e pensava que estava tudo ultrapassado. O futebol é a minha vida. Estou na Europa desde 2000 para trabalhar, não para passear, e não sei fazer mais nada. Ainda por cima, dizem que não posso circular no espaço Schengen por cinco anos, ora isso significará o fim da minha carreira. Não me importo de ir parar à V Divisão, quero é ficar cá!», suplica o jogador.
Zongo garante ser o sustento dos seus pais e irmãos, que vivem na Costa do Marfim, e não pensa ficar no Burkina Faso, onde não tem família, mas assegura que não se sentirá seguro na pátria de Drogba: «Os dois países estiveram em guerra. As coisas estão agora mais calmas, mas aquilo é um barril de pólvora que pode explodir a qualquer momento.»
Os problemas com vistos de atletas africanos não são caso virgem no clube do Lis. Já na época passada, Serge NGal foi forçado a passar dois meses nos Camarões a seguir ao Natal, depois de ter deixado caducar o documento e devido às dificuldades em conseguir renová-lo a partir do seu país.
A única esperança de Zongo, neste momento, é conseguir ganhar tempo (requereu a prorrogação do pedido de extradição) para resolver a questão e, além dos serviços jurídicos da U. Leiria, tem uma advogada em Portugal e outro na Alemanha que procuram solucionar o caso.Comentar este artigo
