Onde anda a calidez qualitativa de outras eras? Este F.C. Porto 2009/10 tem apresentado argumentos desinteressantes, mas camuflados com bons resultados e discursos cheios de lugares comuns. Esta igualdade diante do débil Belenenses, porém, só pode fazer accionar o sinal de alarme no reino azul e branco.
A primeira parte foi péssima, toldada por um futebol prosaico, corriqueiro. A segunda, agitada pela ondulação do escândalo, viveu da ânsia descontrolada. O F.C. Porto deixou para muito tarde o que tinha a obrigação de fazer bem cedo. Poderia ter ganho, sem dúvida, e isso seria o fruto natural da pressão exercida na última meia-hora.
Mas a química não flui no ataque, não entumece os mecanismos intermediários e fragiliza a defesa. Em resumo: frente ao Belenenses, o F.C. Porto exibiu-se com estrepitosa banalidade.
Três pontos cruciais na actuação dos dragões
Custa perceber as actuações recentes deste dragão. A liga gaulesa raptou três nomes importantes da última época (Cissokho, Lucho e Lisandro), mas isso explicará tudo? O problema não está no rendimento individual de Alvaro Pereira, Fernando Belluschi e Farías, mas sim na pobreza do menu apresentada semana após semana.
Ponto um: a equipa não teve qualquer dinamismo até ao intervalo; ponto dois: o Belenenses pouco atacou, mas quando o fez teve espaço para trocar a bola e respirar, dada a pressão atrofiada feita pelo Porto; ponto três: a perder, o F.C. Porto apenas sobreviveu graças ao coração gigante de alguns elementos. De resto, insistiu, insistiu e insistiu em lances mais do que previsíveis.
Ernesto Farías, uma vez mais ele, lá marcou um golo bem ao seu jeito. Depois, no forcing final, houve mais três ou quatro jogadas claras para golo. Mas aí os dragões não tiveram sorte nem engenho.
Um 4x3x3 que justifica ser repensado
Ao longo da semana, Jesualdo e seus pares evitaram ao máximo endereçar importância ao Sp. Braga-Benfica deste sábado. Compreensível. Mas a verdade é que o F.C. Porto não cumpriu a sua parte e agora fica refém do que sair da cimeira de líderes.
Caso algum dos contendores no duelo do Minho vença, os tetracampeões nacionais ficam a cinco pontos do topo. Uma distância generosa. O F.C. Porto só se pode queixar do seu mau momento e pensar urgentemente num plano alternativo a este 4x3x3 tão rudimentar.
Rudimentar não pela colocação das peças em campo, mas pela mobilidade inexistente e pelo pouco improviso. Nesta altura, por aquilo que temos visto, não é difícil anular as movimentações ofensivas do grande dominador dos últimos 25 anos do futebol nacional. Uma vez mais, o Dragão voltou a ter apenas 30 mil pessoas nas bancadas. A decepção da massa associativa é evidente.
Em nota rodapé, importa referir que o golo anulado a Ernesto Farías, aos 25 minutos,
nos pareceu legal, pois a bola chega ao argentino encaminhada por um toque de Gavílan. De qualquer forma, será mais sensato
reapreciar o lance através das imagens televisivas.
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