Confira aqui as notas dadas aos jogadores
É uma eternidade por tudo o que separa F.C. Porto e APOEL. Pelo nome, pela experiência, pelo dinheiro, pelo talento que separa F.C. Porto e APOEL. Sobretudo pelo talento. Estes cipriotas são uma equipa claramente limitada no talento individual. Incapaz de realizar com sucesso uma sequência de meia-dúzia de passes.
Não será mesmo arriscado afirmar que foi das equipas mais limitadas que passaram pelo Dragão na Liga dos Campeões. Jogou com muita vontade, é verdade, apoiada na paixão de mil adeptos e na enorme ilusão de pisar os palcos da Champions. Tirando a vontade, têm pouco para oferecer ao futebol.
Gostam de sofrer, não gostam?
A quantidade de erros não forçados que o APOEL acumulou chegou a abrir sorrisos. Foi muito a partir daí, aliás, que o F.C. Porto construiu a vitória. O golo do empate, por exemplo, nasceu de um mau atraso de Michail que isolou Falcao: o colombiano lançou Hulk e o brasileiro atirou com sucesso. Tudo fácil.
Depois disso, no regresso dos balneários, um cruzamento não levava perigo, mas Elia meteu na mesma o braço à bola. Penalty que Hulk converteu. Mas houve mais: Grncarov, por exemplo, fez um mau passe que obrigou o guarda-redes a provocar um livre indirecto já dentro da área que Bruno Alves desperdiçou.
O F.C. Porto nem estava particularmente inspirado, mas no meio de tantos erros ia jogando o suficiente para tornar o jogo num caminho de sentido único. Sempre apoiado nas iniciativas de Hulk, que esburacava o adversário. Ao intervalo, para se ter uma ideia, tinha realizado 19 remates contra zero (zero!) do APOEL.
E tu, F.C. Porto, é solidariedade?
Ora pouco depois do regresso dos balneários, quando Hulk converteu o tal penalty, pensou-se que a noite estava feita. Grande engano. O F.C. Porto até teve depois duas ou três boas ocasiões para marcar, teve por exemplo uma oportunidade escandalosa de Falcao, mas acabou por passar por dois sustos.
Dois sustos que foram provocados por mais um tiro nos pés do F.C. Porto (sim também os teve, deve ter sido por solidariedade). O primeiro tinha sido de Álvaro Pereira: desviou para a própria baliza um cruzamento de Hélio Pinto e fez o primeiro golo da história do APOEL na Champions.
Álvaro Pereira explica o primeiro golo do APOEL
Mais tarde, aos 75 minutos, Mariano agrediu Satsias e foi expulso. O APOEL encheu-se então de coragem e procurou o golo: Breska e Mirosavljevic atiraram perto do poste. Dois sustos para um F.C. Porto que ficou longe de justificar a distância de talento que efectivamente existe entre as duas equipas.
No fim demorou uma eternidade a vencer, bem mais do que devia, mas ganhou bem, claro. Somou a segunda vitória na Champions e ficou a três pontos de garantir os oitavos-de-final.Não encantou? Não, ficou até muito longe disso. Mas tem a atenuante de no futebol, como no tango, serem precisos dois para dançar.Comentar este artigo

