Jorge Simão, treinador do Boavista, em declarações na sala de imprensa do Estádio do Bessa, após a derrota por 3-1, frente ao Sporting, em jogo da 14.ª ronda da Liga.

[Sporting fechou a 1.ª parte com um golo e na segunda parte foi melhor]:

«Concordo. A primeira parte foi muito equilibrada e controlada. Depois, como é óbvio, sofrer um golo é um marco importante no jogo, sobretudo no momento em que sofremos. Estávamos quase a caminho do balneário. Ainda assim, penso que entrámos bem na segunda parte. A diferença no marcador podia-nos levar para um ponto onde poderíamos e queríamos ter chegado. O segundo golo surgiu de bola parada, com cerca de quatro jogadores com mais de 1,90m basta levantar a bola. Contrariar essa diferença de alturas não é fácil. Ainda conseguimos, com mérito, reduzir. Depois, no lance praticamente seguinte, sofremos mais um golo de bola parada, com nova bola ao segundo poste. Não quero dizer com isto que o Sporting não mereceu a vitória. Se o jogo tivesse empatado, poderíamos tê-lo levado para um ponto em que, perto do final, íamos arriscar e tentar virar o resultado.

Felicito o Sporting e deixou um elogio aos meus jogadores que foram muito bravos. Bateram-se bem.»

[Ausências impediram uma abordagem diferente ao jogo]:

«Quando preparo um jogo penso nos jogadores que tenho, não penso nos que não tenho. Com estes jogadores conseguimos, durante trinta minutos, criar imensas dificuldades ao Sporting. Vi e ouvi o treinador adversário falar antijogo da nossa parte. Não concordo, de todo.

Vi o Patrício bater a bola e os meus jogadores a ganhá-la no ar, vi o Sporting a não conseguir sair curto devido à nossa pressão asfixiante. O Sporting acentuou e carregou mais na fase final da primeira parte e marcou quando estávamos à porta do balneário. Com estes jogadores conseguimos travar uma luta brava, infelizmente não somámos pontos. Deixámos uma imagem condizente com a qualidade destes jogadores.»

[Golo do Sporting adiou a entrada do Rui Pedro?]:

«Não, ele ia entrar. Foi um período difícil. No momento em que estávamos galvanizados, porque o futebol é um jogo de emoções que acabam por se traduzir no jogo. Outro ponto é olhar para o jogo como um jogo de xadrez. Conseguir determinada vantagem como um simples amarelo ou uma falta é como comer um peão. A marcação ou não de uma determinada falta é uma vantagem. O jogo caminha para o final com estas pequenas vantagens, embora ninguém se lembre disso.

A partida teve fases diferentes. O Sporting acomodou-se depois do 3-1, mas até lá lutou muito e conseguiu essas pequenas vantagens.»

[Explicação para o insucesso nas jogadas estudadas]:

«Se tivéssemos jogadores com 1,90m era só levantar a bola que eles ganhavam. Mérito para quem têm jogadores dessa altura. O Bas Dost, por exemplo, mesmo que tenha que dividir com o central vai ganhar a bola. Como não temos jogadores com essas características, temos de optar por outras situações. Tentámos fazê-las com oposição. O Sporting também teve uma jogada de laboratório que não saiu bem. Cada um joga com as armas que têm.»