Miguel Cardoso, treinador do Rio Ave, em declarações na sala de imprensa após a vitória (1-0) frente ao Belenenses, na 1.ª jornada da Liga.

[Importante estrear-se com uma vitória?]

«Obviamente é bom ganhar. É bom para a equipa e para o clube. O jogo correu dentro do nosso plano. Havia uma grande probabilidade do Belenenses se apresentar com uma organização diferente em comparação com os jogos de pré-temporada.

Os jogadores cumpriram aquele que era o nosso plano. Queríamos dominar e conseguimos, em todas as vertentes do jogo. Quando foi importante segurar o resultado fizemo-lo com competência. Temos uma identidade que vai sendo construída. Hoje fizemo-la sentir ao ponto de termos tido 65 de posse de bola. Fizemos quinhentos e trinta e tal passes contra duzentos e vinte ou até menos do Belenenses. São estatísticas que valem o que valem. Tivemos mais remates, mais faltas sofridas.

O vento forte condiciona o jogo. Tentamos adaptar-nos. Conseguimos colocar a bola no chão para não sentir tanto o efeito do vento.»

[Sente que os jogadores já colocam em prática aquilo que é a sua ideia de jogo?]

«Cada jogo tem o seu plano. Existem coisas que são a nossa identidade, outras criámos em função do quadro que vamos encontrar. Para contrariar a organização do Belenenses, era importante jogar curto e controlar espaço entre central e lateral. Fomos muito competentes. Existem traços de identidade como por exemplo a nossa transição defensiva. Aquando da perda de bola, o objetivo era pressionar rapidamente jogadores do Belenenses para eles não conseguirem dar largura. Naturalmente que vamos ajustar semanalmente o plano de jogo dentro daquilo que é a nossa realidade.»

[Rúben Ribeiro e Francisco Geraldes são compatíveis?]

«São altamente compatíveis. Quem dera a muitos treinadores terem jogadores dessa qualidade. Comparo os dois um bocadinho ao Salvador Sobral. Quando foi para Kiev ninguém gostava dele, quando chegou era adorado por todos. São mal-amados porque são talentosos. Ainda assim, têm que servir a ideia coletiva. Vimos, dos dois, um jogo de grande entrega. O Rúben Ribeiro fechou o espaço interior com grande competência, dentro do que lhe foi pedido. Vi um Chico Geraldes a aproximar-se da primeira zona de construção. Isso é importante.  Compete-me encontrar espaço para eles conseguirem jogar. Hoje ficou demonstrado que são compatíveis.»