A entrada encarnada no jogo foi, como tem acontecido na Champions, displicente. O Monaco dominou a primeira dezena de minutos, teve uma situação de golo enorme e só não saiu na frente porque Ocampos atirou por cima, quando tinha a baliza a sorrir-lhe.

Com Talisca longe de fazer alguma coisa entre as linhas da equipa contrária e Enzo Pérez intermitente um pouco mais atrás, o Benfica demorou muito a assentar ideias na partida. Por isso, só aos 20 minutos surgiu na área de Subasic, uma das figuras da noite.

O Mónaco até terá estranhado aqueles minutos iniciais e quando o Benfica começou a ter mais posse de bola, também não se importou muito e sentiu-se confortável no papel que costuma ter: esperou pelo adversário à procura de um erro, um cenário acentuado pela lesão de Berbatov.

Apesar de uma circulação de bola deficitária, as águias ajustaram o processo defensivo e, desse modo, o jogo ficou mau para as emoções: sem ocasiões e num equilíbrio total, com ligeira ascendência dos portugueses.

Basta recorrer à estatística da UEFA como prova disso: 46-54 em posse de bola para o Benfica, remates 4-6 para o Benfica e empate em faltas cometidas e sofridas: 9-9. Uma igualdade em cantos e só em cartões amarelos os encarnados se destacavam de forma clara: 3-0.

Oportunidades em igual número também: Ocampos tinha tido aquela logo a abrir, Lima atirou para a primeira grande defesa de Subasic, aos 39 minutos, após um canto. Em jogo corrido, o Benfica demonstrava pouco ritmo e quase nenhuma ideia para ultrapassar a organização contrária.

Ainda assim, ao intervalo dava a ideia de que o Benfica é melhor do que o Mónaco. Tem mais qualidade individual e até coletiva, mas lembrou-se demasiado tarde que tinha de ganhar no Stade Louis II e desperdiçou 45 minutos.

Não aproveitaria os segundos 45 também. O Benfica evoluiu, a circulação de bola foi muito melhor no segundo tempo e o Mónaco começou a abrir brechas. Ainda que Martial tivesse o primeiro remate, a linha defensiva encarnada estava a controlar o adversário.

Faltava ganhar metros, faltava uma maior agressividade nos duelos . O Benfica subiu nesses aspetos e por isso começou a rondar a baliza de Subasic: em 15 minutos, o croata acabaria por defender um remate de Gaitán na área, outro de Salvio (má decisão com o compatriota a pedir-lhe a bola do lado contrário) e ainda outro de André Almeida.

Por fim, o jogo do Benfica era mais condizente com as necessidades pontuais da equipa, mas no melhor período caiu a expulsão de Lisandro López.

A fazer uma boa exibição – no lance de Ocampos falhou o corte com Berbatov em fora de jogo – o argentino entrou de forma imprudente num lance com João Moutinho. Acertou na bola primeiro e no joelho do médio português. O árbitro deu-lhe cartão vermelho direto, mas o amarelo teria o mesmo efeito.

Jorge Jesus tinha imaginado um ataque com Gaitán ao meio e Bebé à esquerda, com Talisca agora no banco. Se Tiago não dera nada ao jogo nos minutos em que o Benfica jogava com onze, nada deu depois de os encarnados jogarem com dez. Lima ficou sozinho na frente e Gaitán deu lugar a César. 

O Benfica viu-se obrigado a recuar, deu a posse de bola ao Mónaco e acabou por sofrer na parte final, com a última ocasião a pertencer a Raggi. Ou seja, o vermelho de Lisandro condicionou o jogo e, ao fim e ao cabo, as contas do grupo, porque a vitória ficou longe, demasiado longe. Como parecem estar os dois lugares que qualificam para os oitavos de final.

A Liga Europa é um objetivo mais realista, mas os encarnados precisam de mostrar muito mais. Se com o Zenit as circunstâncias do jogo foram retirando capacidade à equipa de chegar a um ponto, se em Leverkusen o falhanço do plano de Jesus foi completo, no Mónaco o problema foi mais a atitude inicial. E o resultado final, evidentemente.

O Benfica podia relançar-se na luta, acabou por sair pior do Mónaco até pelo resultado do Leverkusen-Zenit.