O esclarecimento foi feito através de José Fontelas Gomes, presidente da Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol, em resposta à acusação de Bruno de Carvalho: recorde-se que o presidente leonino referiu na TVI24 que o Benfica oferece uma caixa com uma camisola e um voucher de um jantar para quatro pessoas a cada membro da equipa de arbitragem, mais aos dois observadores e ao delegado da Liga.

 

«Não posso quantificar quanto custa cada jantar, mas posso garantir que os árbitros respeitam integralmente o código ético da UEFA», acrescentou José Fontelas Gomes.

 

«O código de ética da UEFA estabelece que o valor máximo das lembranças não pode ultrapassar os 200 francos suíços, o que dá qualquer coisa como 183 euros.»

 

Ora por isso a Associação Portuguesa de Árbitros, em conjunto com o Conselho de Arbitragem, estão a reunir informação para «defender o bom nome dos árbitros», estando a cogitar avançar para um processo contra Bruno de Carvalho por difamação.

No entanto, e se o Código de Ética da UEFA estabelece um valor máximo para lembranças, o Código de Conduta, assinado pela UEFA, a ECA, a Associação de Ligas Europeias e a FIFpro, aconselha os jogadores, treinadores, dirigentes e árbitros a não aceitar prendas dos clubes. «Não se deixe manipular, diga não a prendas, dinheiro ou apoio», pode ler-se.

A verdade, tanto em Portugal como na Europa, é que a regra geral dos árbitros passa por aceitar lembranças.

 

A política das lembranças

 

Refira-se que a caixa com a cara de Eusébio, uma camisola retro do Benfica tem um preço de venda ao público, na loja do clube, de 59,90 euros. De acordo com fonte do emblema da Luz, o custo de produção é de 24 euros.

É preciso ainda somar, no entanto, o voucher com as quatro entradas no Museu Cosme Damião e as quatro refeições no Museu da Cerveja, os quais não são produtos comerciais do Benfica. Ou seja, não estão à venda, e carecem sempre de confirmação por parte dos eventuais interessados.

Os sites da especialidade indicam que uma refeição no restaurante do Terreiro do Paço custa em média 20 euros por pessoa, o que vai no sentido da informação veiculada pela mesma fonte de encarnados: os interessados estão limitados aos menus existentes, com «preços normais». Os jantares são resultado de uma parceria entre clube e a empresa fornecedora, novamente sem custos para o primeiro. 

 

Relativamente ao voucher, refira-se, na maior parte das vezes é utilizado por familiares e amigos. Uma coisa que acontece em certas situações é os árbitros de Lisboa pedirem os vouchers aos árbitros do norte, que não têm possibilidade de os utilizar.

 

As caixas oferecidas pelo Benfica, e reveladas por Bruno de Carvalho, são deixadas no balneário ou no gabinete dos árbitros e não são de resto norma obrigatória: nem sempre são entregues, dependendo da vontade do clube.

 

Por fim há mais clubes a deixar lembranças aos árbitros. O Sp. Covilhã oferece queijos, o Desp. Chaves cestas com enchidos, o Desp. Aves dá garrafas de vinho.

 

O Sporting, como disse Bruno de Carvalho, e o FC Porto, geralmente não dão nada, havendo apenas exceções pontuais quando oferecem camisolas de treino. Quando o árbitro pede, e isso acontece mesmo, dão a camisola oficial.

Como nota complementar, diga-se que esta política de não dar nada foi assumida por Bruno de Carvalho. Nos tempos de Godinho Lopes, por exemplo, o Sporting oferecia uma camisola oficial e um peluche.

 

A comida deixada no balneário é obrigatória: fruta, bebidas e sumos.

 

Outra norma comum, mas esta comum a todos os clubes, é oferecer placas comemorativas dos jogos grandes, como recordação para os árbitros.